Era uma vez uma casa que sua última cor foi pintada de amarelo, parecia mel, e um belo dia veio um zangão destruiu o que tinha de mais precioso dentro dela......O Amor edificado com tanto esmero. As abelhas existentes foram sopradas dali como um vento forte acabou com tudo , um sentimento de tristeza tomou conta ,destruiu o que ao longos dos anos, foram construídos aos poucos a esperança, cada tijolo colocado era um motivo de celebrar a felicidade! Meu pai arremessou como mestre de obras a sua coragem de enfrentar e reformar o que alí havia de mudar, na mudança não podíamos nem entrar com os móveis por que era alagada a calçada, fizemos uma pequena ponte de tábua para que pudéssemos circular normalmente. Meu querido e saudoso pai pensou em um projeto de reforma, todo seu, que com muita dedicação soube reerguer cada cantinho dos seus aposentos, muitas lutas, muito trabalho, com sacrifício estava realizando seus sonhos, de deixar bonito, e confortável nossa moradia, quantas dificuldades para atingir o almejado. Presenciei muitas vezes desde menina, sua dedicação, com muito empenho, e perseverança conseguiu deixar pronto o seu bem mais precioso, A casa da felicidade, o que habitava a pureza da união, da harmonia, do lar doce lar, era uma casa aconchegante, todos queriam ficar curtindo o ar do calor humano que se encontrava dentro de cada um que ali morava. mesmo sendo uma casa sem luxo, suja( como muitos diziam) eis que era um reino encantado, o qual aos poucos foi construindo seu castelo com muito amor. Meus irmãos, eu e nossos filhos fomos criados correndo no quintal, fazíamos brincadeiras de esconde-esconde, minha mãe escondia os ovos de páscoa para acharmos,éramos tão felizes, uma casa muito arborizada, com frutas que tiravámos do pé, como: nas mangueiras, nas goiabeiras, no jambeiro, no pé de acerola, de carambola, usufruíamos das melhores frutas de qualidade, e não posso deixar de citar também o coqueiro, com água docinha, nos divertíamos bastante.Me recordo dos melhores momentos que vivi naquela casa, o que me dói muito, lágrimas descem dos meus olhos ao pensar tantas emoções sentidas, tantas alegrias, e agora saber que nossa casa não existe mais, simplesmente demoliram, colocaram abaixo todos os momentos que passamos os tristes, os alegres,, as desavenças, as reconciliações, a discórdia e a concórdia, tudo tinha uma recompensa maravilhosa, ao ponto de sermos sensatos o suficiente para equilibrar nossas diferenças, e logo depois sem nenhum rancor tudo ficaria no seu normal. Com o passar dos anos, precisava de tratos, de uma boa reforma para que ficasse realmente perfeita, o que me deixava super triste por não ter condições financeiras de poder arcar com todas as despesas de material de construção e pedreiro. Depois que meu pai faleceu ficou tudo mais difícil, ele gostava tanto daquela casa que morreu dentro dela.. Mas minha querida e guerreira mãe, levantou a sua fachada, com muita dificuldade, deu um brilho no seu look , foi nossa abelha rainha que enfrentou com muita garra e coragem mais uma vez estava linda a nossa casa, parabenizei minha mãe, por tudo que fez, realmente mais uma batalha ganha, Obrigada senhor! Mas o que importa tudo isso, a perfeição diante da imensidão de tantos obstáculos que se apresentavam no momento. E agora? Sabemos o que importa mesmo é a nossa satisfação de termos vividos tantos anos, 38 anos de conquistas, lutas e vitórias, Angústias, tristezas, mas que tudo junto fez parte do grande show da vida, tudo isso é fantástico! mas o que é intragável, e inaceitável é a demolição feita, chega alguém compra tua casa, e faz dela ruínas, tudo foi por água abaixo, quer dizer poeira abaixo, não resta mais nada a fazer, tudo foi consumado.Todos os momentos, tudo que passou, virou destruição, destroços e nada mais. Pensamentos me atordoam, me deprime,só de pensar que não posso mais ver, aquela casa, não existe mais. O que me faz ficar revoltada, é que as pessoas dizem não sentir nada! simplesmente coisa material, é o que escuto, Ah! meu Deus, onde ficam os sentimentos das pessoas? como podem ser assim, existiu um alicerce que foi construído, pessoas deram a vida para que o conjunto da obra fosse realizado, e o amor que foi plantado e colhido? onde está,? jogado nos destroços, nos entulhos, de cada lugar da casa, que ali foi vivido, O AMOR! Estamos no tempo do natal, e fico recordando o quanto era bom quando desfrutávamos juntos do natal em família.Todas as datas importantes sempre juntos, de mãos estendidas com a paz e a solidariedade para nos confraternizar. A páscoa, que ressucitávamos com cristo, renovando nossa fé, nossas forças, com comemorações fraternais, a semana santa respeitada de acordo com as doutrinas da igreja, S.João fazíamos fogueira, sotávamos fogos, minha mãe fazia canjica, bolos, cozinhava milho, assávamos milho na fogueira, me lembro do quanto minha mãe tinha o prazer de ir para a cozinha, ficava o tempo todo organizando os quitutes para que nós ficássemos felizes, tudo fazia pelo filhos ficarem satisfeitos, se divertíssem. Tempo bom que não volta jamais, só a certeza que um dia fomos felizes e não sabíamos, quantas vezes não demos valor a essa felicidade, a esses pequenos detalhes, as vezes a felicidade entra por uma porta que não sabíamos que tinhámos deixado aberta.
Silvana Guimarães.
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